sábado, 18 de maio de 2019

Bolsonaro sanciona projeto que anistia partidos políticos

bolsonaro anistia
Foto: Marcos Corrêa/PR




AGÊNCIA BRASIL



No último dia de prazo, o presidente Jair Bolsonaro sancionou hoje (17) o projeto de lei que altera regras de funcionamento dos partidos políticos. Entre as mudanças estabelecidas, está a que dá autonomia às legendas partidárias para definir o prazo de duração dos mandatos dos membros dos seus órgãos internos permanentes ou provisórios.
A lei também concede anistia aos partidos pelas penalidades por descumprimento do investimento mínimo de 5% recursos do Fundo Partidário na promoção da participação feminina na política, que incluem gastos com eventos e propagandas que estimulem e igualdade de gênero na política. As legendas ficam livres de multa caso tenham financiado, pelo menos, candidaturas femininas nas eleições do ano passado.
O texto também traz outras mudanças nas regras de organização partidária, como a desobrigação de diretórios municipais de prestar contas à Justiça Eleitoral caso eles não tenham registrado movimentação financeira durante o respectivo exercício. O projeto de lei foi aprovado pelo Congresso Nacional no dia 24 de abril.
Veto
O único veto presidencial ao projeto que veio do Congresso trata de um trecho que dava anistia em caso de doações de servidores públicos que ocupam cargos comissionados. O trecho vetado previa anisita das devoluções, cobranças ou as transferências ao Tesouro Nacional "que tenham como causa as doações ou contribuições feitas em anos anteriores por servidores públicos que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, desde que filiados a partido político".
Para vetar o trecho, o governo argumentou limitação fiscal. "A anistia (...) é inoportuna no atual quadro fiscal em virtude da renúncia de receita dela decorrente", diz o trecho da Mensagem Presidencial que justifica a decisão.

Fonte:Diário de Goiás

Justiça-- Nova decisão retira Lúcia Vânia da presidência do PSB

“Ela omitiu informações e induziu o juiz ao erro”, afirma Elias Vaz

Por Francisco Costa

Em nova decisão interlocutória, o juiz Luis Carlos de Miranda, de Brasília, derrubou a liminar anterior que reconduzia a ex-senadora Lúcia Vânia à presidência do PSB. Com isso, Elias Vaz, oficializado no cargo no último de 10, retorna.
Na decisão anterior, o magistrado tinha observado na peça “um flagrante desrespeito às normas internas do partido e das regras estabelecidas pelo próprio presidente do partido, Carlos Siqueira”.
Porém, nesta sentença ele informou que, “pelos documentos anexados, que o Diretório Nacional ratificou a decisão liminar de seu presidente, bem como que constituiu a Comissão Provisória, e, ainda mais importante, intimou os autores desta ação para defesa”.

Justificativa

No caso dos argumentos parte autora [Lucia Vânia], Luis Carlos afirmou que “a falta de transparência do edital de convocação não é suficiente para afastar a conclusão acerca da ausência dos requisitos para a manutenção da tutela de urgência, especialmente diante da preservação do contraditório e da constituição de uma Comissão Provisória, eis que esta foi criada para perdurar por 6 meses”.
A defesa da ex-senadora foi procurada, mas até o fechamento dessa matéria não obtivemos retorno. O espaço permanece aberto.

Peessebistas

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que a decisão não o surpreende. Segundo ele, “nessas gincanas das pessoas quererem resolver na Justiça, nunca perdi uma”.
Além disso, Siqueira afirmou que Lúcia Vânia é página virada. “Ela precisa ir para o partido que anunciou que iria [PPS] e deixar o PSB sob a nova e ótima direção, no caso o Elias”.
Da mesma forma, o presidente Elias Vaz diz que a decisão era esperada. “Ela omitiu informações e induziu o juiz ao erro. Omitiu que foi notificada e não fez defesa no prazo; e que decisão por mudanças no partido foi apreciada pela diretória e entendida por unanimidade”.
Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Puxadinho não mais

Questionado se ainda há alguma chance de uma reviravolta, Elias diz que não.  O deputado federal afirma que documentos foram expostos e a ação dela era baseada em mentiras. “Ela tentou entrar em contato com lideranças, mas são todos a favor da minha presidência”, afirmou.
Elias explicitou, também, que a Justiça não vai obrigar o partido a manter uma pessoa que não quer mais. “Não tem como passar por cima de uma decisão nacional do partido”.
Sobre os rumos da sigla, o deputado federal adianta, ainda, que Agora haverá estabilidade. “Não seremos mais puxadinho do PSDB, como foi. Teremos cara própria”, concluiu.

Fonte:Jornal Opção

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Justiça devolve o PSB para Lúcia Vânia; Elias, fora

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ALTAIR TAVARES


A ex-senadora Lúcia Vânia conseguiu uma decisão do juiz Luis Carlos de Miranda que devolveu a presidência do PSB (Partido Socialista Brasileiro), em Goiás. Na semana passada, a presidência foi dada ao deputado federal Elias Vaz, em evento em Goiânia, com participação do presidente nacional Carlos Siqueira.
Em entrevista a O Popular, o presidente afirmou que "não existe mais espaço para ela, todas as lideranças são contra". "É uma instrusa", disse ele.
Ao mesmo jornal, a ex-senadora informou que foi à Justiça para defender a lisura de seu mandato. "Não houve ilicitude ou irresponsabilidade da minha parte", afirmou ela. A ação foi movida pelo advogado Dyogo Crosara que alegou o afastamento de Lúcia Vânia "não respeitou o devido processo legal"
Fonte: Diário de Goiás 

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Prefeitura de Águas Lindas promove mais uma entrega de cadeiras de rodas e outros materiais




Por meio da Secretaria Municipal de Saúde, a Prefeitura de Águas Lindas realizou no último sábado (11) no salão do Movimento Pró-Acessibilidade, a solenidade de entrega de cadeiras de rodas, cadeiras de banho, próteses, entre outros materiais. Cerca de 30 pacientes foram beneficiados neste evento.
A primeira-dama do município e secretária de Assistência Social, Aleandra Sousa, enalteceu o trabalho realizado pela Secretaria de Saúde, por levarem este benefício aos pacientes, trazendo-lhes maior qualidade de vida.
“Este é um trabalho maravilhoso que muito me sensibiliza. O empenho da Secretaria de Saúde para realizar este atendimento personalizado, através do departamento de atendimento à pessoa portadora de deficiência física e mental, feita pelo JR, é extremamente importante para as famílias.
O prefeito Hildo do Candango tem trabalhado muito no sentido de dar dignidade à esta parcela da população que necessita de um atendimento especial, e até as obras de infraestrutura realizadas no município tem características necessárias para disponibilizar acessibilidade para todos. Agradecemos também ao CRER, que tem atendido os nossos pacientes com muito carinho e respeito, é uma parceria que fez a diferença na vida de nossa gente”, disse Aleandra.
O vereador Luiz de Aquino, que realiza este trabalho de atendimento nesta área há muito tempo, ressaltou a importância do apoio dado pela Prefeitura de Águas Lindas de Goiás, sob a gestão do prefeito Hildo do Candango. “Antigamente este atendimento era muito difícil, hoje temos uma pessoa dedicada especialmente na estrutura da Secretaria de Saúde, para organizar toda a documentação necessária para este atendimento e agendar o atendimento no CRER, em Goiânia, todos os meses e levada uma nova turma de pacientes que recebem atendimentos de alto nível.
Agradeço ao prefeito Hildo, a secretária Aleandra Sousa, ao secretário de Educação, Deusimar Macedo e ao secretário de Saúde, Eduardo Rangel, que não tem medido esforços para realizarem este trabalho. É um trabalho conjunto que visa levar excelência no atendimento a estas pessoas”, falou Luiz de Aquino.
Eduardo Rangel explicou que a parceria com o CRER possibilitou uma sensível melhora no atendimento aos pacientes portadores de deficiência física e mental do município, pois os atendimentos são personalizados e os equipamentos fornecidos são de alto nível, prescritos de acordo com a necessidade de cada paciente e feito sob medida.
“Este trabalho envolve a Secretaria de Saúde através do departamento de atendimento à pessoa com deficiência, que está instalado na nossa Regulação e é atendido pelo JR, que tem a incumbência de reunir toda a documentação que deve estar acompanhada do
relatório médico de cada paciente, agendar no CRER e posteriormente acompanhar este pacientes na viagem na primeira consulta com a equipe daquela entidade ate chegar este momento de entregar o material necessário para a melhora da qualidade de vida de cada um. Não é um trabalho fácil, mas é feito com muito carinho e respeito, seguindo fielmente a determinação do prefeito Hildo do Candango”, disse o secretário.
O paciente que precisa buscar este atendimento deve comparecer a Regulação da Secretaria de Saúde, munido de todos os documentos pessoais, cartão do SUS, comprovante de endereço atualizado, e o laudo com o relatório especificando qual a enfermidade.
O trabalho é feito de forma conjunta pela Secretaria de Saúde, que reúne a documentação necessária, pela Secretaria de Assistência Social, que auxilia na busca ativa de pacientes através das unidades CRAS, e a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia que realiza o atendimento em todas as unidades de ensino e ainda fornece o transporte para a viagem para Goiânia.

Acompanhe mais informações nas redes sociais da Prefeitura de Águas Lindas: Facebook: https://www.facebook.com/GovernoMunicipalDeAguasLindas Instagram: https://www.instagram.com/prefeitura.aguaslindas




domingo, 12 de maio de 2019

Economia--Para crescer, economia precisa mais que a reforma da Previdência

Segundo especialistas, cortes e confiança exacerbada na reforma não podem substituir projeto econômico mais consistente

Paulo Guedes, ministro da economia e principal embaixador da reforma | Foto: reprodução


 
   


A projeção do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira em 2019 vem caindo há dez semanas. Segundo a pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, a estimativa, que já foi de 3% em junho de 2018, agora é de um aumento de 1,49%. A previsão depende muito do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre, que será divulgado na semana que vem, mas para o qual economistas têm uma má expectativa.
Este é um dos fatores que contribuem para que se considere o risco de o Brasil entrar em recessão novamente. Na espera de uma melhora econômica, grandes empresários pisam no freio em seus investimentos e a geração de emprego aguardada não acontece – são atualmente 13,4 milhões de desempregados –, alimentando o ciclo de baixo consumo e baixo crescimento econômico. Os números assustaram o mercado internacional e o próprio governo.
Pela primeira vez em 21 anos, o Brasil não consta na lista dos 25 melhores países para se investir. A consultora empresarial americana A. T. Kearney, que produz a lista, colocou o Brasil dentro dos cinco melhores entre 2010 e 2014. Em 2018, o impeachment de Dilma Rousseff (PT) fez com que A. T. Kearney tecesse comentários otimistas em relação ao país e ao governo Michel Temer (MDB).

Contingenciamento, bloqueios e cortes


Edward Madureira, reitor da Universidade Federal de Goiás | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A notícia de que o crescimento não seria o esperado fez com que a equipe econômica da União admitisse novos cortes no orçamento a serem anunciados no dia 22 de maio, segundo a Agência Estado. O governo, que já havia anunciado o contingenciamento de R$ 30 bilhões na máquina pública, fará novas reduções nos R$ 129 bilhões usados com despesas não obrigatórias.
Universidades federais, bolsas de pesquisa científica, museus, o programa Minha Casa Minha Vida e o Censo Demográfico do IBGE são os principais alvos. Edward Madureira, reitor da Universidade Federal de Goiás, afirmou que a UFG só funcionará até outubro com o corte de 30% no orçamento. A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) informou por ofício que terá de “suspender o pagamento dos bolsistas a partir de agosto de 2019, atingindo mais de 93 mil discentes e pesquisadores”. Ministérios também estimaram ter dificuldades a partir de agosto.
Economistas, cientistas políticos e empresários entrevistados afirmaram que existem maneiras melhores de cortar gastos. Moisés Ferreira da Cunha, doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP), lembra o caráter de investimento que as ciências têm para os países desenvolvidos. Segundo o Balanço Social de 2018, cada real aplicado na Embrapa gerou R$ 12,16 de Lucro Social à Receita Operacional Líquida do país.
Otávio Lage de Siqueira Filho, presidente da Adial (Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás), afirmou sobre os cortes: “Sou totalmente contra. Acho que poderíamos otimizar os gastos. O Brasil tem muitos cursos universitários e poucos cursos técnicos. Deveríamos inverter a lógica de investir mais no fim da educação e do que no início.”

Alternativas


Para Pedro Célio Alves Borges, governo tem usado ameaças para aprovar reforma| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O principal projeto para conter a crise econômica, a reforma da Previdência, ainda está longe de ser consenso, mas, segundo analistas, provavelmente será aprovada com modificações em seu texto. Para Nathan Blanche, economista, não aprovar a reforma é “suicídio coletivo”, e qualquer perspectiva de melhora se inicia com a aprovação da proposta. Para ele, a geração de crédito para atrair empresários tem a reforma da Previdência como única alternativa.
Entretanto, para Jeferson de Castro Vieira, economista professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, a reforma é pouco. “Reforma da Previdência é coisa normal em qualquer país que aumenta sua expectativa de vida”, afirmou Jeferson Vieira. “Para o empresário, na verdade, o que importa são reformas tributárias, marcos regulatórios e privatizações. Apenas 12% das 500 maiores empresas brasileiras agregaram valor em 2018 por conta de nossa alta carga tributária”.
Segundo Nathan Blanche, o governo deveria aproveitar o início de mandato para apresentar um projeto mais consistente. “No início as pessoas apostam, nós acreditamos que haveria reformas. Olhe as privatizações até agora: tiveram sucesso em diminuir monopólio de refinarias, o que acabou com muitos maus costumes. Além disso, 15% do PIB teria de ser gasto para manter a infraestrutura, portos e aeroportos; o que não tem acontecido e vemos a degradação desse setor”.
Otávio Lage Filho endossa a alternativa das privatizações, mas, para ele, estas só funcionariam em um cenário de mais firmeza econômica, “a iniciativa privada só entrar se tiver segurança de que o país vai andar bem. Imagine comprar uma empresa milionária se a economia não deslancha”. Moisés da Cunha cita ainda o corte de privilégios como alternativa ao corte de investimentos e à reforma da Previdência.

Cortes estratégicos


Nathan Blanche: economista da Tendências Consultoria | Foto: Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

A instrumentalização dos cortes para forçar a aprovação da reforma da previdência tem sido apontada recentemente. Pedro Célio Alves Borges, cientista político e doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), afirmou: “Há de imediato o cenário descrito pelo ministro Paulo Guedes, que vem sobrecarregado de chantagens, como se não houvesse alternativas. O tom do tudo ou nada, ‘nossa reforma ou o caos’, não está pegando perante os diversos polos do Centrão, o que já assusta os articuladores governistas e as altas esferas financeiras que bancam a reforma da Previdência”.
Pontos como o aumento da idade e do tempo de contribuição mínimos para a aposentadoria integral são controversos pela inflexibilidade do texto. Enquanto a expectativa de vida é alta nas regiões Sul e Sudeste, no Norte e Nordeste os 65 anos mínimos parecem mais cruéis. Há também dúvidas sobre a base parlamentar necessária para aprovar o rebaixamento do benefício continuado dos aposentados para R$ 400. A pacificação dessas questões ainda pode levar um longo tempo, e a própria essência da pauta – o regime de capitalização – causa discordâncias.

Capitalização


Para Jeferson de Castro Vieira, não há solução a curto prazo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Segundo Moisés Ferreira da Cunha, o interesse de Paulo Guedes com a aprovação da mudança do modelo de Previdência tem a ver com a obrigatoriedade do cidadão capitalizar sua aposentadoria em bancos. “Imagine os bancos tomando esse dinheiro de entrada como depósito de poupança e emprestando do outro lado a juros exorbitantes”, disse ele. “Na minha visão, a ideia é para beneficiar instituições financeiras. Se tivesse a ver com melhoria para a nação, tantos países que adotaram o modelo não teriam voltado atrás”.
Outro economista, Jeferson de Castro Vieira, tem visão mais positiva da reforma proposta por Jair Bolsonaro (PSL), mas concorda que o planejamento deveria ser melhor pensado. “A capitalização é interessante, mas temos uma sociedade que cresce pouco com muitos desempregados. São 60% das famílias endividadas, 10% sem condição de pagar as contas no final do mês, informalidade nas alturas. Como se faz um regime de capitalização nessa realidade?”

Aquém do necessário

Segundo Moisés Ferreira da Cunha, a reforma da Previdência não resolverá o problema do baixo crescimento do PIB. “O que resolve isso é um projeto estratégico que põe nossas empresas mais competitivas no mercado internacional e que dê mais oportunidade para a criação de empregos”, afirmou.
As fissuras no governo são visíveis pela relação do Executivo com o Congresso para aprovar temas prioritários. Também não se resolverão com a aprovação reforma da Previdência, segundo o cientista político Pedro Célio Borges. “Um problema que encaminha-se para o centro da agenda de dificuldades está na perda precoce do discurso governista, para dentro e para fora de sua base. Sem um elemento de legitimação consistente, as fragilidades do presidente aumentarão em número e em amplitude”.

Modelo estrangeiro

O Chile, primeiro país a usar o regime de capitalização de previdência privada, é frequentemente citado por detratores da reforma. A medida adotada em 1981 é impopular, pois o Estado chileno e empresários não contribuem com a aposentadoria – toda ela é custeada pelos trabalhadores, que obrigatoriamente depositam 10% de seus salários mensalmente. Segundo pesquisa da Fundação Sol, 90,9% dos chilenos aposentados recebem menos de 149.435 pesos (R$ 694).

Fonte: Jornal Opção

Despesas--Com redução de receita, municípios do Entorno do DF têm dificuldades para fechar contas


Prefeitura do Novo Gama relata déficit de professores por dificuldades financeiras | Foto: Divulgação


Os municípios  goianos do Entorno do Distrito Federal têm vivido uma crise nos últimos tempos e encontrado dificuldades para equilibrar contas e se manter no índice de responsabilidade fiscal. Segundo as prefeituras, o critério de reajuste do piso pago pelos Estados, DF e municípios ao magistério têm sido o grande vilão das economias locais.
A Lei 11.738/2008 alterou o critério, promovendo aumentos acima da inflação e do crescimento da receita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
De acordo com dados do Conselho Monetário Nacional (CMN), em 2019, o reajuste da categoria foi de 7,64%, enquanto o percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor era de 6,5%. 
O aumento foi maior, também, que o crescimento da receita do Fundeb, que foi estimado pelo Governo Federal em 3,27% em relação a 2016. Portanto, a receita dos municípios será a metade do percentual do reajuste do piso do magistério.
Ainda de acordo com dados de 2010 a 2017, o INPC aumentou em 51,5%, o Fundeb em 61,79%, enquanto, no mesmo período, o piso dos professores foi atualizado em 124,49% e o salário mínimo em 83,73%.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, por sua vez, determina o limite de gastos com pessoal de 54%. No Novo Gama, por exemplo, com o aumento da folha e queda da receita, a cidade já contabiliza 72,9% de despesa com pessoal.
Segundo a prefeitura da cidade, esse índice impede que o município invista em outras áreas, faça novas contratações, novos concursos e, ainda, comprometem a Educação e Limpeza Urbana.
Águas Lindas de Goiás também está enfrentando uma crise semelhante ao ficar acima do percentual limite de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. A cidade ficou impossibilitada de realizar contratações o que refletiu diretamente na educação do município.
Outro problema enfrentado é o manutenção do Programa Jornada Ampliada, dados que está em vigência desde 2013. O programa da Secretaria de Educação disponibiliza mais horas para o professor fazer a preparação das aulas, já que os professores assumem apenas uma turma e não duas como de costume, criou déficit de mais de 180 turmas sem professores e com o teto elevado da folha que atualmente chegou a 59% e o limite recomendado pela Lei de Responsabilidade Fiscal que é 54%, agravados pela queda na arrecadação e nos repasse do Governo Federal, mostra que as receitas não estão conseguindo acompanhar os aumentos da folha com isso o município não consegue cumprir a LRF, também ficou impedido de fazer novas contratações, e uma folha crescente que não acompanha a arrecadação, conforme mostra o gráfico abaixo, 89% da folha é de servidores efetivos, ( concursados).
Olhando o Gráfico acima e acompanhando a linha vermelha dos gastos com pessoal, (folha de pagamento) podemos observar que em 2012 a folha era cerca de 73 milhões, já em 2017 essa folha cresceu sem aumento de efetivo para ordem de cerca 152 milhões.
Outro dado curioso é o custeio da máquina pública, recursos utilizados para o funcionamento do serviço público, tais como combustível, materiais de expedientes, insumos, etc… comparando o último ano da gestão do ex-prefeito Geraldo Messias que é cerca de 73 milhões e comparando o primeiro ano do Governo Hildo do Candango , podemos observar esse custo caiu para cerca de 35%, os gastos ficaram na casa dos 48 milhões uma redução significativa se pegarmos também o ano de (2017) do prefeito Hildo que é de 63 milhões e os gastos do último ano de Geraldo Messias (2012) 73 milhões mostra que administração do candango depois 5 anos com uma inflação acumulada de 39,16% segundo IPCA acumulado de 2012 a 2017, manteve os gastos a baixo da gestão de Messias.
O Secretário de Educação Deusimar Macedo falou que a Criação da Jornada Ampliada tem como objetivo de propor aos professores novas formas de produzir conteúdo e conhecimento aos alunos, entretanto após a adequação para o sistema da Jornada Ampliada, muitos municípios do Entorno e inclusive o Distrito Federal encaram uma dura realidade para fechar as contas uma vez que precisam do dobro de profissionais para suprir as demandas.
De acordo com análise o programa vem desestabilizando diversos municípios do Entorno. Como foi o caso de Águas Lindas que mesmo com os esforços e investimentos do prefeito na área, passou a ter 180 turmas do munícipio que não possuíam professores por conta do déficit causado pelo programa.
Em Águas Lindas a solução paliativa e emergencial com bastante esforços da Secretaria de Educação a solução encontrada foi o pagamento de horas extras aos professores já lotados, para que os mesmos assumissem as turmas sem profissionais, situação que sobrecarregou as contas do município e os profissionais da educação, ação necessária para que os alunos não ficassem sem aula.
Para resolver de forma ainda paliativa este déficit, o município conseguiu realizar com o TCM um TAC, a onde o município se compromete na diminuição dos gastos com folha e o enquadramento na ( LRF ) foi solicitado então a liberação da autorização para a contratação de contratos temporários, foram solicitados autorização para contratar 150 profissionais, o tribunal só autorizou a liberação de 90, a medida resolveu de forma provisória as dificuldades da educação, porém para o próximo ano se não houver aumento na receita do município terá que escolher se matem o Programa Jornada Ampliada, no caso da manutenção do programa, muitas turmas ficaram sem professor.
Já a Prefeitura de Novo Gama não pode realizar novas contratações restando apenas duas alternativas: manter a jornada ampliada, e assim diversas turmas ficaram sem professor, já que ao seguir a iniciativa do programa assumem apenas uma turma ou tomar a decisão de finalizar o programa e desta forma disponibilizar estes professores já contratados para assumirem duas turmas conseguindo suprir as demandas e não prejudicar o andamento das aulas.
De acordo com informações, a implantação do Programa Jornada Ampliadaapresenta índices negativos após sua implantação. No ano de 2015 o município regrediu na avaliação nacional, apresentando um resultado não satisfatório em relação ao IDEB. Como ficou constatado no último resultado de 2015, a nota obtida foi inferior ao resultado de 2013 nos anos iniciais. Há certa disparidade, levando em consideração os resultados dos anos anteriores.
E não é só o Entorno que passa por estas dificuldades citadas, recentemente o governador Ibaneis e o secretário de Educação, Rafael Parente, relataram em entrevistas impossibilidades e necessidades de cancelar o programa. O secretário ainda destacou que a iniciativa não ocorre em outros estados e que é preciso atenção ao pensar nas medidas educacionais daqui pra frente.
“Aqui temos um bom tempo de coordenação. Os professores dão 25 horas de aula e têm três tardes de quatro horas para poder elaborar e programar suas atividades. Isso não existe em nenhum lugar do mundo. Se analisarmos éramos pra ter uma das melhores educações do país, porém a Capital Federal vem atingindo baixos índices nas avaliações Nacionais o que é preocupante e ´precisa ser repensado”, disse Rafael.
O Programa Jornada Ampliada, foi criado no princípio pensando em uma melhor qualidade de ensino, com o professor preparando sua aula, o que podemos constatar que isso não acontece e existem várias denúncias de professores usando seu tempo extra para exercer uma segunda carga horária em outras escolas ou exercem outras atividades, mostrando a falha do programa Jornada Ampliada.

Fonte: Jornal Opção

quinta-feira, 9 de maio de 2019

GDF Usará Moeda Social Para Legalizar Templos Religiosos


O governo local fará a regularização dos terrenos ocupados por igrejas e entidades em troca de serviços gratuitos de assistência social. No total, apenas 9% desses lotes estão em condições plenas de funcionamento no Distrito Federal


HM Helena Mader
O Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes fica em Sobradinho e oferece atendimento médico, fisioterapia e atividades de lazer: necessidade(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O Distrito Federal tem 1,8 mil imóveis ocupados por templos religiosos e entidades de assistência social, mas apenas 9% desses terrenos estão regularizados. Muitas igrejas e instituições sem fins lucrativos não buscam a legalização do lote porque não têm recursos para a compra ou para pagar a taxa de uso da área pública. Para tentar ampliar esse número, o governo começou a adotar uma nova modalidade de negociação: a legalização em troca de moeda social. As instituições assinam um contrato de concessão do direito real de uso por um prazo de 30 anos e, em troca, oferecem serviços de assistência social gratuitos.
Essa possibilidade é prevista na Lei Complementar nº 873/2013 (leia O que diz a lei). Seis anos depois de editada, a legislação nunca havia sido aplicada no Distrito Federal. Neste mês, a Agência de Desenvolvimento de Brasília (Terracap) homologou os dois primeiros contratos na modalidade de regularização por moeda social. Os acordos foram com o Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes, em Sobradinho, e com a Casa do Caminho, em Taguatinga. A primeira atende idosos em situação de vulnerabilidade social, e a segunda, crianças carentes e adolescentes em conflito com a lei. O contrato com o Lar dos Velhinhos, que tem o processo mais adiantado, deve ser oficializado em uma cerimônia com a presença do governador Ibaneis Rocha nos próximos dias.
A norma que regularizou igrejas e terrenos de entidades sociais é de 2009, mas o texto sofreu alteração em 2013, para incluir a legalização por moeda social. Segundo a legislação, a concessão de direito real de uso pode ser gratuita desde que a entidade comprove a prestação de serviços e a execução de programas de atenção “de forma gratuita, continuada, permanente e planejada”. O público-alvo dessas políticas, de acordo com a lei, são crianças, adolescentes, idosos, deficientes, dependentes químicos e pessoas em situação de risco. Entre os serviços que podem ser ofertados como contrapartida pela legalização fundiária estão vagas em creche, prestação de assistência social e atendimento de usuários de drogas.
A coordenadora do Lar dos Velhinhos, a psicóloga Priscila Fernandes, comemora a regularização por esse modelo. No terreno, em Sobradinho, a entidade oferece atendimento médico, fisioterapia e serviços como fonoaudiólogo a idosos carentes, além de atividades de lazer. “Atendemos hoje 70 idosos. Com a segurança da regularização, o nosso projeto é oferecer atendimento a mais 40 pessoas”, conta Priscila. A entidade social não tem fins lucrativos e só atende pessoas em vulnerabilidade social — são 36 mulheres e 34 homens acolhidos pelo Lar dos Velhinhos.

Fiscalização

O presidente do Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal, Josimar Francisco da Silva, também apoia a adoção do novo modelo de regularização de igrejas. “Esse processo se arrastou por tanto tempo porque a maioria das igrejas não tem recursos. Mas, como boa parte delas oferece serviços à população, agora será possível buscar a legalização dos lotes”, explica o pastor. “Muitas igrejas oferecem serviço de creche, de assistência social a idosos e drogados e cursos profissionalizantes. O governo não consegue atender sozinho essa área social, e as igrejas têm espaço, têm interesse e têm voluntários para atuar nesses projetos”, comenta.
O diretor de Regularização Social e Desenvolvimento Econômico da Terracap, Leonardo Mundim, conta que, dos 1,8 mil imóveis ocupados por igrejas, só 175 foram legalizados. “Sem a regularização desses lotes, as entidades não pagam a contraprestação pecuniária pela ocupação dos terrenos, e o governo não pode despejá-las. Agora, elas terão segurança jurídica e o registro da concessão na matrícula do imóvel”, conta Mundim. Ele explica que o GDF fará uma fiscalização nas entidades beneficiadas. “Se houver desvirtuamento dos termos previstos no contrato, a entidade terá de pagar todas as taxas retroativas”, acrescenta o diretor da Terracap. O valor da taxa de ocupação das igrejas é de 0,3% sobre o valor da avaliação do imóvel. Quem oferecer serviços à população ficará isento do pagamento desse valor.
Leonardo Mundim conta que o Executivo local reviu os processos para acelerar a nova modalidade de regularização dos templos. “Um dos principais projetos do governo Ibaneis Rocha é regularizar a cidade. A Seduh (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação) fez uma força-tarefa para atualizar todos os processos e verificar quais entidades se enquadram na lei. O texto exige a comprovação de que a instituição ocupava a área em dezembro de 2006”, detalha o diretor da Terracap.

Faltam vagas em creches

Para ser beneficiada, a entidade tem de apresentar um plano de ação à secretaria responsável pela área de atuação do projeto. Iniciativas de oferta de vagas em creche, por exemplo, devem tramitar na Secretaria de Educação. O processo na sequência passa pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) até receber o aval da Terracap.
O DF tem hoje um deficit de 16 mil vagas em creches. Um dos projetos do governador é resolver esse problema, e a regularização com moeda social é um excelente caminho para implementar o projeto”, explica o diretor de Regularização Social e Desenvolvimento Econômico da Terracap, Leonardo Mundim. Para serem beneficiadas com o contrato de concessão de uso gratuito, as entidades e igrejas não precisam demonstrar incapacidade financeira. Basta obter a aprovação do plano de ação.
A oferta de vagas em creches pelas igrejas resolve um problema social e ajuda mães que não têm com quem deixar os filhos para ir trabalhar. Mas especialistas defendem que o ensino das classes iniciais deve ter critérios técnicos, com a atuação de profissionais qualificados. “Quanto menor a criança, maior deveria ser o nível de formação de quem cuida e educa”, alerta a doutora em educação infantil e professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB) Fátima Guerra.
Priscila Fernandes, coordenadora do Lar dos Velhinhos: ‘Atendemos hoje 70 idosos. Com a segurança da regularização, o nosso projeto é oferecer atendimento a mais 40 pessoas’(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O que diz a lei

A Lei Complementar nº 873/2013 estabelece que a concessão de direito real de uso para templos e entidades sociais pode ser feita sem cobranças, “desde que a entidade comprove que, de forma gratuita, continuada, permanente e planejada, presta serviços, executa programas ou projetos de atenção aos beneficiários”. Segundo a Lei Complementar nº 806/2009, que, primeiramente, tratou da regularização de igrejas e instituições sociais, esses serviços devem beneficiar “crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, dependentes químicos ou pessoas que comprovadamente vivam em situações de risco”.
Fonte: Correio Braziliense